sábado, 6 de junho de 2026

Cumpra você mesmo suas obrigações


Bell Marques durante corrida promovida em Salvador
Imagem: Divulgação

Fiquei rolando o feed do Bell marques, que pra mim é uma aula de marketing. É inegável que Bell é um jovem senhor de 73 anos, muito provavelmente com mais vigor físico e energia vital que você e eu. 

Ao que pude perceber, ele entrou de corpo e alma no universo lifestyle que movimenta as redes sociais, em especial, no segmento de corridas, inclusive tendo fundado a sua própria corrida.


Eu quero acreditar que ele já possui um patrimônio financeiro considerável, e que na idade em que está, já poderia deixar de trabalhar e viver uma vida confortável.


Pra mim, a diferença dele tá na mentalidade (e não tô com papo furado de coach, aliás eu odeio coach), e na visão comercial de 'vestir a camisa' dos seus próprios projetos. 


Por fim, fica impossível não recordar de alguns artistas com os quais já trabalhei (em especial, no forró), que precisei incansavelmente implorar para que gravem conteúdos de divulgação do próprio trabalho. 


Ninguém, absolutamente NINGUÉM é capaz de cumprir o seu papel no que diz respeito aos seus projetos profissionais. Bell pra mim é referência no quesito artista que se entende como empresário.

Sempre atento;


// fernando =*

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Comprei sandálias novas...



 Sim, me dei de presentes um par de sandálias novas. Na verdade, de fato eu estava precisando, uma vez que as minhas quebraram quando eu pretendia me deslocar para viajar.

Mas por que alguém escreveria em um blog que comprou um par de sandálias? Eu respondo: porque pra mim, isso é mais profundo e subjetivo do que provavelmente para a grande maioria das pessoas. Enquanto tirava a etiqueta e rompia o lacre ao chegar em casa, do mais absoluto nada uma série de pensamentos dominaram minha mente. 

Lembrei que durante minha infância, sandálias SEMPRE foram um problema para mim. A começar por usar sempre um tamanho maior (na condição de que duraria muito tempo e não se perderia por ficar pequena nos meus pés a medida que eu crescesse). 

No entanto, o grande problema é que elas nem duravam tanto assim, uma vez que eventualmente se quebravam durante as corridas ou brincadeiras comuns no dia a dia. E quando quebravam, precisava recorrer ao famigerado 'prego no cabresto', que quem é nascido nos anos 89/90 vai entender bem do que eu estou escrevendo. 

Por diversas vezes eu era limitado a não brincar ou não correr para que a bendita sandália não quebrasse cedo. E quem é a criança que vive sem brincar ou correr? Crescer é deixar para trás as sandálias quebradas ou que podem se quebrar quando se vive.

É bom, na verdade é maravilhoso poder comprar sandálias novas e não ter medo que elas quebrem. Continuarei comprando sandálias novas sempre que possível e preciso. 

Cuidem de suas sandálias. 

// fernando =*

terça-feira, 10 de março de 2026

Quando tudo vira um post...



Viver em função de se adequar a era performática digital deve ser um caos. Antigamente as pessoas corriam por gostar, ou pela necessidade de se exercitar.

Atualmente tudo é performance digital, a corrida só tem eficácia se você tiver um 'pace' aprovado socialmente (Pace de corrida é o tempo médio que um corredor leva para percorrer 1 quilômetro). 

Tem que postar o resultado do treino medido pelo Strava, tem que postar a foto feita pelo fotógrafo profissional (mas só vale se tiver Instagramavel, se o ângulo validar a execução do exercício, de preferência tem que ser na beira mar, se for em bairro periférico ninguém posta, afinal é feio, né?). 

O "look" precisa ser de alguma marca notória. Usar short Tactel? Bermuda cotton das casas girão? Camiseta de malha? JAMAIS! 

Ah, não pode esquecer do óculos de sol da centauro ou de alguma marca chic e cara que agregue status. Tênis precisa ser no mínimo o Corre 4 da Olimpykus.

No bolso e indispensavelmente vão o ego, a vaidade, a validação social, em casa fica a simples vontade de correr pra envelhecer de forma saudável. Tudo muito justo, funcional e adequado à corrida por status e atenção nas plataformas sociais.


Corre, amigo(a)... Corre!

// fernando =*

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Quando sexualidade vira máscara para distorção de caráter



Gente, vem cá, papo sério! 

Quando foi que virou epidemia a sociedade normalizar o fato de insinuar que um homem hétero escroto é gay?


Faz alguns anos que eu observo qualquer coisinha que um homem hétero faz em relação a mulher, logo ser taxado de 'gay encubado' ou que "não gosta da fruta". 


Desde quando homem gay não gosta de mulher? Não só gostamos como AMAMOS. Num geral, homem gay nunca teve e nunca terá problema algum com mulheres, inclusive o alto índice de feminicídio no país não é praticado por homens gays. 


Que mania pavorosa de ficar justificando comportamento de macho escroto como se tudo fosse resultado dele ser gay (não assumido). Não é não, é porque é hétero seboso mesmo.


E foram educados pra desqualificar mulheres em todas as circunstâncias, homens gays tão mais preocupados em enaltecer diva pop quando lança single. 


Aqui no 'vale' a gente não abraça e acolhe esse tipo de figura não, eu hein... quem pariu seus macho problemático que mantenha e balance.


Sem paciência,

// fernando =*

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O paradoxo da oração: Como odiar o próximo em nome do divino?

 

(Reprodução/Pinterest)

Pergunta sincera: quantas vezes você viu (presencialmente) ou com qual frequência você lê notícias de umbandistas e candomblecistas invadindo e depredando igreja evangélicas?

O combate à intolerância religiosa ainda é, infelizmente, um dos grandes desafios do Brasil.

E se eu te dizer que em 2025, o país registrou 4.424 violações à liberdade de crença ou de culto, um aumento de 14% em relação aos 3.853 de 2024?

As informações são do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC)

Mas esse efeito tem origem, responsáveis, explicação e nome: "Racismo Religioso". Ele é o fruto do desejo de hegemonia religiosa, praticado por grupos extremistas, presentes em algumas igrejas evangélicas neopentecostais.

Também é o resultado da herança colonial, em que os ataques contra as religiões de matriz africana (como candomblé e umbanda) não é apenas dogma, mas o ódio contra a cor da pele e a cultura dos praticantes.

Numa era em que igrejas e templos cristãos se tornaram 'cnpj' e pastores encontraram uma fonte de enriquecimento, a desinformação nas redes sociais amplifica os mitos sobre rituais de outras religiões. 

Se você absolutamente nunca participou de nenhum tipo de festividade ou evento em uma templo de umbanda ou candomblé, mas ainda assim carrega preconceito ou desinformação sobre algo que não conhece, é hora de você rever conceitos.

Sigo pensativo,
// fernando =*

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Obediência filial tem limites?

 Já faz algum tempo que analiso e observo ao meu entorno, relações parentais que são marcadas por desestruturação e outros problemas entre pais e filhos. Mas até que ponto vale a pena ter problemas de desordem emocional somente para manter obediência aos pais?



// fernando =*

domingo, 12 de outubro de 2025

Carta para a criança que fui...



Oi, meu pequeno Fernando,
Hoje é Dia das Crianças, e eu queria muito te escrever. Queria te abraçar de verdade, mas como o tempo ainda não inventou um jeito de fazer isso, deixo aqui minhas palavras, e nelas, todo o amor que você merecia ouvir naquela época.
Eu lembro de você. Lembro do vazio que sentiu quando seu pai foi embora. 

Lembro do silêncio pesado que ficou em casa. Lembro da mamãe, tão cansada, tão ferida por dentro, tentando dar conta do mundo e descontando em você o peso que ela mesma não sabia carregar. Lembro também dos avós, rígidos, sem jeito com sentimentos, tentando ajudar do jeito que sabiam, mas sem perceber o quanto você só queria um pouco de carinho e escuta.

Não foi fácil, né? Faltava tanta coisa: um quarto só seu, roupas novas, material escolar que não fosse emprestado ou doado, comida que durasse até o fim da semana. Mas, mesmo assim, você deu um jeito de achar beleza nas brechas da vida.

Eu me lembro do seu sorriso quando descobriu o prazer de ler, aquele momento em que as palavras começaram a abrir portais dentro de você. Era como fugir, mas de um jeito bonito: fugia para dentro das histórias, para dentro de mundos onde a dor ficava pequena e a esperança era sempre possível. Será que você ainda lembra da história "O Casamento da Dona Baratinha"?

Lembro também das brincadeiras no córrego do Mestre D'armas, da água fria escorrendo pelo corpo, das risadas sinceras e livres, porque, mesmo cercado de tantas ausências, havia ali um menino inteiro, criativo, vivo. O mesmo menino que transformava uma lata de sardinha num carrinho e uma caixa de papel num computador, como se dissesse para o mundo: “Olha, eu também posso criar. Eu também posso sonhar.”

E, claro, lembro do brilho nos olhos quando assistia Cavaleiros do Zodíaco. Você se via neles, né? Pequeno, mas valente. Machucado, mas persistente. Lutando por justiça, mesmo quando o mundo parecia injusto demais. Hoje, eu (o Fernando que você vai se tornar), quero te dizer algo que ninguém te disse naqueles anos difíceis: você é amado. Mesmo sem um pai por perto. Mesmo quando a mãe gritava. Mesmo quando as roupas não serviam ou o estômago doía ao sentir fome. Você sempre foi digno de amor, de paz e de descanso.

Eu cresci, pequeno. E cresci com você dentro de mim. Aprendi a cuidar do homem que você se tornou, mas também a acolher o menino que você foi. Eu construí, passo a passo, o lar que você tanto sonhou, um lar dentro do peito, onde há espaço para você brincar de novo, rir de novo, acreditar de novo.

Então, nesse Dia das Crianças, quero te prometer uma coisa: Nunca mais você vai se sentir sozinho, nunca mais vai precisar se esconder para chorar. Nunca mais vai precisar provar que é forte, porque eu estou aqui agora, e é minha vez de cuidar de você.
Com amor, orgulho e ternura,
Fernando (o adulto que aprendeu a te proteger)